Riscos de não se fazer manutenção no agronegócio

O Brasil desponta como o maior em território plantado (75,4 milhões de hectares) no mundo. E os planos seguem ambiciosos. Um estudo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, revela que nos próximos 10 anos a área total das lavouras chegará a 85,68 milhões, somando 10,3 milhões de hectares ao agronegócio brasileiro. 

Embora os números sejam expressivos, o Brasil ainda fica atrás dos Estados Unidos quando o assunto é colheita: mesmo plantando menos, eles colhem mais. Mas, o que explica essa diferença na eficiência? Os avanços dos equipamentos disponíveis no país norte-americano pode ser uma das explicações. Entretanto, mesmo sem o uso de tanta tecnologia de ponta, o produtor brasileiro também pode potencializar a produção com uma medida simples: a manutenção preventiva do maquinário utilizado no agronegócio.

Instituir um plano de manutenção preventiva é essencial para que os equipamentos atinjam seu ápice produtivo e tenham uma vida útil mais longa. Afinal, na lavoura, máquina quebrada é sinônimo de colheita parada. Muitos outros riscos surgem quando se negligencia a manutenção no agronegócio e é sobre isso que vamos conversar melhor no artigo de hoje.

Continue a leitura e conheça os principais riscos que a falta de manutenção pode trazer para o produtor.

Os riscos de negligenciar a manutenção no agronegócio

É preciso que o empresário não encare a manutenção dos equipamentos como um item opcional. Quem quer produzir mais e melhor, reduzir custos e evitar transtornos deve ter esse cuidado sempre em mente.

Os riscos da falta de preservação têm impacto em vários níveis, desde os financeiros aos que dizem respeito à segurança de quem trabalha na lavoura. Conheça melhor os problemas acarretados pela falta de cuidados preventivos e como eles afetam o agronegócio.

Impactos a curto e longo prazo

Muito além dos custos imediatos com consertos, a quebra de um equipamento pode render prejuízos expressivos. De acordo com o artigo “Custos ocultos no setor de agronegócio: análise de um caso no subsetor”, disponível nos Anais do XIV Congresso Brasileiro de Custos, a ociosidade das máquinas ― que se refere a quando o processo industrial é interrompido por algum motivo não pré-determinado ― equivale a R$4.741.200.00 dos R$8.688.309,98 gastos em custos indiretos, previstos para os meses de colheita.

Deixar a manutenção preventiva de lado, definitivamente, não é uma opção para o agronegócio. Além de prejudicar o desempenho a curto prazo, interrompendo o processo, não realizar os reparos regulares também diminui consideravelmente a vida útil do equipamento. Quando lidamos com um investimento de milhões de reais, essa se torna outra forma de assegurar seu patrimônio.

Maior risco de acidentes

Colocar o maquinário para trabalhar sem ele estar plenamente apto a funcionar pode colocar em xeque a segurança de quem o opera. Sem a manutenção adequada, é possível que os equipamentos sofram panes, soltem peças e, em casos mais extremos, possam explodir durante a operação.

Embora existam poucas estatísticas sobre os acidentes no meio rural, o Brasil lidera o ranking de países com o maior número de incidentes envolvendo tratores, segundo a International Labour Organization. A imperícia dos operadores se soma aos equipamentos impróprios para a função, potencializando os riscos.

O produtor deve envolver os trabalhadores que operam os equipamentos nas rotinas de manutenção preventiva, salientando que é importante a checagem diária de itens como: integridade dos pneus, freios, óleo do motor, água e conferência de possíveis locais de vazamentos.

Diminuição da produtividade

Já citamos este item, mas é bom reforçar: equipamento parado é sinônimo de prejuízo. E essa queda na produtividade também tem a ver com a mão de obra: sem máquinas para operar, ao menos um colaborador se mantém inativo. Porém, mesmo que o maquinário siga funcionando, o rendimento se mantém comprometido frente à falta de manutenção.

Ao operar sem plenas condições, há um desgaste muito maior nas peças e componentes. Isso faz com que o desempenho do equipamento caia e dê origem a desgastes ainda mais acentuados, que irão culminar com a paralisação da operação em pouco tempo.

Gastos inesperados

Um equipamento não tem dia nem hora para quebrar. Normalmente, eles deixam o agronegócio na mão quando mais se precisa deles. Então, durante o período de colheita, é necessário arrumá-lo antes que os prejuízos fiquem ainda maiores com a perda da produtividade.

Para se ter uma ideia de como a falta de preservação pode sair caro, vamos usar um trator agrícola de 140cv como referência. A troca dos filtros do motor e do óleo lubrificante custa, aproximadamente, R$400,00. Sem a manutenção adequada, esses componentes podem prejudicar sistemas como as canaletas dos pistões e gerar o desgaste prematuro dos cilindros do motor. Com o efeito cascata provocado por esses defeitos, a paralisação da máquina pode gerar custos de, no mínimo, R$2.000,00 (o valor pode variar dependendo da região, mas a exigência de peças de custo elevado e a necessidade de pessoal especializado para os reparos são uma base para o cálculo).

Medidas simples para auxiliar no cuidado com equipamentos agrícolas

Além de desenvolver um plano de manutenção preventiva eficaz e contar com profissionais treinados para operar os equipamentos, algumas outras medidas podem ajudar a manter o bom funcionamento das máquinas. 

Confira duas medidas que irão auxiliar na conservação dos equipamentos do agronegócio.

1. Tenha o manual de instruções sempre à mão

É ele quem vai responder as suas dúvidas quanto à frequência e à correta manutenção do equipamento. Com o avanço tecnológico, há também um cuidado maior na hora de definir quando e quais procedimentos preventivos realizar, o que verificar e quais os produtos mais indicados para cada caso.

Generalizar os equipamentos e não se atentar a esses detalhes pode custar muito da vida útil, eficiência e produtividade deles. O manual também ajuda a elucidar as dúvidas quanto às falhas mais comuns, informando o protocolo correto para correções.

2. Entenda as características de cada equipamento

As colheitadeiras, por exemplo, estão expostas à poeira, que causa diferentes tipos de desgaste em peças e sistemas específicos. Portanto, exigem que determinados cuidados sejam tomados para aumentar a vida útil desses mecanismos. Cuidados esses que são bem diferentes se pensarmos em tratores.

Como você pôde ver ao longo deste artigo, negligenciar a manutenção dos equipamentos traz diferentes riscos para o agronegócio: prejuízos financeiros com reparos imediatos, que se estendem ao impacto na produção; menor rendimento de máquinas e operadores e também o aumento das chances de acidentes na lavoura.

Desta forma, é imprescindível que se entenda as particularidades de cada máquina, guardando-as em locais apropriados e se conheça os pontos de atenção de cada uma. Mais uma vez, o manual de instruções é um ótimo recurso para conhecer melhor o equipamento.

Fonte: inovacaoindustrial.com.br

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